terça-feira, 6 de julho de 2010

Cada vez mais perto da Onça-Pintada

Hoje mais uma vez saímos para verificar as armadilhas e logo na primeira percebemos algo diferente. Não havia isca e o laço estava desarmado. Também não havia onça e ficamos indagando o que teria acontecido. Pelas pegadas sabíamos que o animal havia passado por ali. A presença de um carcará sugeria a possibilidade dele ter desarmado a armadilha e comido parte da isca antes da onça passar e levar o resto, sem ser pego pela mesma.
Carcará
Aconteça o que aconteceu, tivemos que rearmar, deixar uma nova isca e partir. Aproveitei e deixei também uma camera remota..só pra ver se dava sorte de pegar a cena onde a onça é capturada...vai que dá né??
Instalando a micro-camera

Verificando as outras armadilhas, percebemos que mais duas haviam sido desarmadas de forma suspeita….mas mesmo assim, nada de onça. Deixamos tudo montado novamente e agora esperamos que não vá falhar. Foi quase…estamos chegando perto. Muito perto.
Aproveitei o caminho de volta para prestar atenção nas aves da região.

Eu filmando na Baía do Burro, paraíso das aves.

Biguá

Talhamar

São Joãozinho

Martim-Pescador

Socó-boi

Maguari

Japuira

Pica-Pau

Inhuma

Taiamã

Aguia Pescadora, espécia migradora da Europa.

De volta a sede, só nos restou tirar as botas e esperar ter mais sorte no dia seguinte...

Novo encontro com a Onça-Pintada e um pequeno susto

Hoje partimos mais uma vez para verificar as armadilhas e novamente nenhuma onça havia sido capturada. Decidimos voltar monitorando o rio e avistei novamente uma onça, só que desta vez na outra margem. Voltamos e ficamos um tempo com ela. Desta vez ela nem saiu do lugar. Estava bem escondida atrás da mata, o que dificultava a filmagem. Depois de algum tempo decidimos deixa-la em paz e voltar pra base.
Ao chegarmos fomos avisado que uma onça havia matado um jacaré e arrastado ele para dentro de uma propriedade onde mora o seu Ildebrando e a dona Elza. Fomos direto pra lá. A dona Elza nos contou que a onça passou na porta da cozinha de sua casa com o jacaré na boca. Ela contou isso como se fosse a coisa mais normal do mundo. Vimos o rastro e resolvemos segui-lo. Depois de uns 100 metros escutamos um rosnado que fez até o chão tremer. Sem brincadeira, isso acontece. Paramos e bem devagar decidimos regressar...não era dia de virar comida de onça.

Seu Ildebrando e Dona Elza, os verdadeiros amigos da onça.

Dona Elza, aponta o rastro da Onça.

A onça que rosnou estava atrás deste mato..daqui não passamos.

Joares e Edsel montam mais uma armadilha, bem perto de onde fomos "expulsos" pela Onça.

Os pesquisadores montaram uma armadilha por ali e depois voltamos para a sede. Já tinhamos emoção suficiente para um dia!
O Sitio Boa Esperança, onde vivem o Sr. Ildebrando e a Dona Elza, este Pantanal tem cada história...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Onça Pintada - Primeiro Breve Encontro

Hoje partimos junto do nascer do sol para checar as armadilhas. Todos estavam confiantes.

Chegamos na primeira e nada...na segunda nada...na...quarta...quinta...sexta e sétima...nada de Onça. Não foi desta vez, mas a equipe de pesquisadores não se abalou. Todos ja estavam acostumados com isso. As vezes eles levam meses para capturar um único indivíduo.
A onça pintada é o maior mamífero carnívoro do Brasil, e necessita de pelo menos 2 kg de alimento por dia, o que determina a ocupação de um território de 25 a 80 km² por indivíduo a fim de possibilitar capturar uma grande variedade de presas. Isto torna difícil este trabalho de captura. Aqui temos uma semana e vamos ter que torcer para que um, ou mais, animais passem por estas armadilhas. No caminho de volta vim curtindo a paisagem que estava com aquela bela luz de final de tarde. De repente vejo uma cabeça, que mais parecia um tronco e se mimetizava muito bem com a mata. Achei que era mesmo parte da vegetação só que o objeto se mecheu. Gritei!!! Tem uma onça ali! Viramos o barco e chegamos mais perto...era mesmo um grande macho de Onça-Pintada. Ele estava tranquilo, descansando na beira do rio e pouco se importou com a nossa presenca. Ficamos ali uns 10 minutos observando o belíssimo animal até ele entrar na mata e desaparecer.
O Por do sol veio pra fechar o dia com chave de ouro.

domingo, 4 de julho de 2010

Na trilha da Onça - Montando as Armadilhas

Acordamos antes do nascer do sol e saímos para instalar as armadilhas para capturar as Onças. O time de pesquisadores,composta por Peter Crawshaw, Joares May, Edsel Junior, Augustin Paviolo, Selma Onuma e Paulo Amaral, estavam usando o sistema de laço. Primeiro procuramos por pontos onde o animal costumava ser avistado e verificávamos se havia rastro. Uma vez definido se o local era apropriado começava o trabalho de instalação da armadilha. Era preciso limpar o local (para evitar que a Onça se machuque ao se debater), enterrar o gatilho, prender o laço a uma árvore ou a estacas fixadas diretamente no solo, camuflar todo o sistema, criar um caminho com galhos e folhas para direcionar o animal e se necessário deixar uma isca (neste caso estavamos usando piranhas). Passamos o dia instalando as armadilhas. No total foram 7, espalhadas nas margens do rio cuiabá.
Navegando No Rio Cuiabá

Pegada de Onça-Pintada

Resto de um jacaré comido por uma Onça

Limpando o terreno

Instalando o gatilho

Gatilho

Prendendo o laço

Camuflando a armadilha

Armadilha pronta

Piranha (Isca)

Armadilha com Isca

Peter esturra para chamar a atenção das Onças

Agora era uma questão de tempo! Voltamos para a sede do parque no fim do dia . Amanhã partiremos bem sedo para verificar se alguma Onça-Pintada caiu em nossas armadilhas. Todos dormiram anciosos.
Borboleta pousada no meu tripé